Quem passou por aqui semana passada deve ter percebido que o blog esteve fora do ar. Explico: eu comecei a redigir a tese e senti necessidade de fazer um levantamento do conteúdo publicado. Foram 260 posts, 404 comentários, 46.766 visualizações. Os números são a prova que o tema desta pesquisa continua em alta, já que, mesmo sem postar com regularidade durante este ano, o número de visitas veio aumentando a cada mês. As pessoas buscam no Google informações sobre as celebridades e caem aqui.
No meu mini-censo, logo de cara, tive a confirmação da coerência de meu caminho. Ao mesmo tempo, eu me descobri mais crítica ao tema do que eu pensava que fosse. Essas duas descobertas me deixaram muito confiante. Eu aprendi um monte de coisa nova aqui no estágio, mas foi uma sensação boa reencontrar com tudo que eu já sabia e com quem eu era.
No entanto, encontrei ainda nessa releitura posts meio sem importância para a pesquisa e/ou fora do tema em questão. Aí, por alguns dias, pensei em tirar tudo ar permanentemente. O desenrolar do meu trabalho foi trazendo novos problemas, que transformaram muita coisa – e confesso que senti também uma vontadezinha de esconder algumas informações até a defesa. Mas… eu não escrevi este blog sozinha! Ia ser muito anti-democrático se, de repente, eu apagasse tudo: as contribuições que ganhei aqui não foram só porque eu postei, mas pelo diálogo que estabeleci com os comentários (que aliás foram bem acima do número de posts).
Então, para não ser incoerente com o tema que eu mesma escolhi trabalhar, a publicidade e a democracia, fiz uma seleção das melhores postagens e republiquei todas ontem. Escolhi 31 posts, 32 com este aqui. Não me peçam para explicar tim tim por tim tim como fiz essa seleção. Umas foram pela qualidade da reflexão, outras para marcar a trajetória da pesquisa e tiveram ainda os posts que eu gosto mais, uma escolha afetiva. Esses 32 posts representam o espírito que animou o blog.
Desde o início do estágio sanduíche na EHESS, o blog parou de acontecer. Hoje, depois do meu mini-censo, eu percebo que não foi só a mudança de país que contribuiu para isto. Quando a gente faz pesquisa, aprende que um dos momentos mais importantes é a definição de um problema. É como se fosse o gancho do repórter ou o argumento do roteirista, quer dizer, apenas um bom problema não resulta em uma pesquisa de qualidade, mas, sem ele, também não se pode fazer muita coisa. Hoje eu vejo que o blog serviu para este momento específico, para a construção da minha questão. E ele aconteceu em público, assim como meu objeto. Meu problema foi sendo enriquecido pelo olhar de muita gente, pelos palpites e pelo debate (eu nem sempre concordei com os comentários). Daí, quando o problema estava colocado, o blog perdeu a linha, porque o trabalho foi para outros rumos. Um dos motivos que eu gosto de fazer pesquisa é justamente este, de planejar caminhos que, quando bem traçados, ganham rumos próprios, que nos levam a descobertas. Pesquisar é transformar.
Assim, eu me despeço finalmente deste blog (foi difícil desapegar, estava tão bom!), com a certeza que cantarei em outras paragens muito em breve. Ainda não sei onde nem como, mas preciso colocar este ponto aqui neste momento, no meu problema de pesquisa, para poder construir novos espaços. Eu gosto dessa comunicação rápida, que dá uma arejada na escrita densa e reflexiva da pesquisa acadêmica. E nos faz encontrar com muita gente legal. Muito obrigada!














